Entender quais exames são feitos durante a gravidez ajuda a acompanhar cada fase com mais tranquilidade. Ele não é uma lista rígida e igual para todas: o obstetra adapta os pedidos conforme a idade gestacional, o histórico de saúde, os sintomas e os riscos maternos ou fetais.
Por que os exames são divididos por fases da gravidez?
Cada exame tem uma janela em que oferece informações mais úteis. A ultrassonografia inicial auxilia na datação, enquanto a morfológica do segundo trimestre avalia detalhadamente a anatomia fetal.
O diabetes gestacional costuma ser rastreado entre 24 e 28 semanas. Perto do parto, a pesquisa do estreptococo do grupo B orienta medidas de prevenção para o recém-nascido.
Quais exames costumam ser solicitados no início do pré-natal?
A primeira avaliação deve ocorrer assim que a gravidez for identificada. O profissional revisa doenças anteriores, medicamentos, gestações prévias, histórico familiar, vacinação e fatores de risco.
Quais exames de sangue e urina fazem parte da avaliação inicial?
Os pedidos variam conforme o protocolo, mas geralmente incluem hemograma; tipagem ABO e fator Rh; pesquisa de anticorpos irregulares; glicemia; sorologias para HIV, sífilis e hepatites B e C; exame de urina e urocultura.
A urocultura pode detectar bacteriúria assintomática, presença de bactérias na urina mesmo sem sintomas, condição que pode evoluir para infecção renal.
Testes para toxoplasmose, rubéola, doença de Chagas, clamídia, gonorreia e outras infecções podem ser solicitados conforme o país, os antecedentes e a avaliação clínica. Nem todos são universais.
Quando a primeira ultrassonografia é realizada?
Uma ultrassonografia precoce pode confirmar se a gestação está no útero, verificar a vitalidade embrionária, identificar gravidez múltipla e estimar a idade gestacional. É especialmente útil quando há dor, sangramento ou dúvida sobre a última menstruação.
A Organização Mundial da Saúde recomenda pelo menos uma ultrassonografia antes de 24 semanas. Na prática, muitas gestantes realizam uma avaliação no primeiro trimestre e outra, mais detalhada, no segundo.
Quais exames podem ser feitos entre 10 e 14 semanas?
Nesse período, podem ser discutidos testes de rastreamento cromossômico. Eles estimam a probabilidade de alterações, como as trissomias 21, 18 e 13, mas não confirmam diagnóstico.
Entre as opções estão o DNA fetal livre no sangue materno, geralmente disponível a partir de 10 semanas, e o rastreamento combinado do primeiro trimestre, que associa marcadores sanguíneos à translucência nucal, medida por ultrassom aproximadamente entre 11 e 14 semanas.
Um resultado de alto risco não significa que o bebê tenha necessariamente uma alteração. Pode ser indicada avaliação com medicina fetal, aconselhamento genético e exame diagnóstico, como biópsia de vilo corial ou amniocentese. A decisão deve ser informada e respeitar as preferências da gestante.
O que é avaliado no segundo trimestre?
O segundo trimestre concentra exames importantes para a anatomia fetal e para condições maternas que se tornam mais evidentes com o avanço da gestação.
Quando é feita a ultrassonografia morfológica?
A ultrassonografia morfológica costuma ser realizada entre 18 e 22 semanas. Ela avalia cérebro, face, coluna, coração, tórax, abdome, rins e membros, além da placenta, do líquido amniótico e, quando indicado, do colo uterino.
O exame identifica muitas alterações estruturais, mas não todas; um resultado normal não exclui todas as doenças genéticas ou funcionais.
Quando é investigado o diabetes gestacional?
O rastreamento costuma ocorrer entre 24 e 28 semanas, com teste de glicose definido pelo protocolo adotado. Gestantes com fatores de risco podem ser avaliadas mais cedo e, se o resultado inicial for normal, novamente no período habitual.
Nessa fase, o hemograma pode ser repetido para verificar anemia. Em gestantes Rh negativo não sensibilizadas, repete-se a pesquisa de anticorpos e avalia-se a necessidade de imunoglobulina anti-D.
Quais controles acompanham as consultas?
Nas consultas, também são avaliados pressão arterial, peso, sintomas, medicamentos e sinais de complicações.
A pressão arterial e a pesquisa de proteína na urina ajudam no rastreamento da pré-eclâmpsia. Após cerca de 24 semanas, a medida da altura uterina auxilia no acompanhamento indireto do crescimento fetal.
Sangramento, perda de líquido, febre, dor intensa, falta de ar, dor de cabeça persistente, alterações visuais ou redução dos movimentos fetais exigem avaliação médica sem esperar a próxima consulta.
O que costuma ser solicitado no terceiro trimestre?
No fim da gravidez, alguns exames podem ser repetidos, principalmente hemograma, sorologias e testes relacionados ao grupo sanguíneo. A necessidade depende dos resultados anteriores e dos riscos identificados.
Quando é realizada a pesquisa do estreptococo do grupo B?
A cultura para estreptococo do grupo B é feita com coleta vaginal e retal, geralmente entre 36 e 37 semanas, embora alguns protocolos adotem uma janela próxima. A bactéria pode estar presente sem causar sintomas.
Quando o resultado é positivo, isso não significa doença ativa. Em geral, indica antibiótico durante o trabalho de parto para reduzir o risco de infecção neonatal precoce.
Toda gestante precisa fazer ultrassonografia no final da gravidez?
Nem sempre. Em gestações únicas e sem complicações, algumas diretrizes não recomendam ultrassonografias seriadas de rotina após 28 semanas.
Ultrassom de crescimento, Doppler ou cardiotocografia são mais comuns diante de hipertensão, diabetes, crescimento inadequado, gestação múltipla ou redução dos movimentos fetais.
Por que o calendário pode mudar ao longo do pré-natal?
O calendário é dinâmico. Um resultado alterado pode levar à repetição de testes, investigação complementar ou acompanhamento mais frequente.
Doenças crônicas, gravidez múltipla, complicações anteriores ou achados no ultrassom podem exigir outro plano. Comparar exames entre gestantes nem sempre é útil.
Como se preparar para os exames?
Confirme se é necessário jejum, horário específico, suspensão de suplemento ou enchimento da bexiga. Não interrompa medicamentos por conta própria.
Leve exames anteriores e pergunte o que cada resultado significa. Um valor isolado fora da referência nem sempre representa doença, pois a gravidez modifica vários parâmetros do sangue e da urina.
Calendário de exames?
Mais do que cumprir uma sequência de pedidos, o calendário organiza decisões clínicas no momento em que elas podem ser mais úteis. Ele acompanha a adaptação materna, o desenvolvimento fetal e os riscos de cada trimestre.
O melhor calendário é individualizado, explicado de forma clara e revisto quando necessário. Quando a gestante entende o objetivo de cada exame, participa das decisões com mais segurança e transforma o pré-natal em um processo de cuidado, não apenas em uma coleção de resultados.
Referências internacionais
American College of Obstetricians and Gynecologists — Routine Tests During Pregnancy:
https://www.acog.org/womens-health/faqs/routine-tests-during-pregnancy
World Health Organization — Recommendations on Antenatal Care:
https://www.who.int/publications/i/item/9789241549912
Centers for Disease Control and Prevention — Screening for Group B Strep:
https://www.cdc.gov/group-b-strep/testing/index.html
Centers for Disease Control and Prevention — Screening During Pregnancy:
https://www.cdc.gov/pregnancy-hiv-std-tb-hepatitis/php/screening/index.html
National Institute for Health and Care Excellence — Antenatal Care:
https://www.nice.org.uk/guidance/ng201
NIH/NCBI Bookshelf — Prenatal Genetic Screening:
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK557702/
















